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Barragem de Base Zero: Tecnologias de Baixa Emissão de Carbono na Caatinga para Captação de Água e Recuperação de Áreas Degradadas

Reconhecer a caatinga como um laboratório a céu aberto que cria, sistematiza e promove intercâmbios é uma das missões do Projeto Rural Sustentável Caatinga (PRS Caatinga), que faz parte da Rede ILPF (integração-lavoura-pecuária-floresta), que tem como objetivo promover o desenvolvimento de Arranjos Produtivos Locais Sustentáveis (APLs), baseados em agricultura de baixo carbono.



Barragem de Base Zero, Lindete Alves

Com início em meados de 2022, em dois anos de projeto, foram implementados 18 Barragens de Base Zero; 06 unidades demonstrativas e, 54 unidades multiplicadoras. E o total de 60 famílias agricultoras familiares, entre eles o Povo Indígena Xocó de Porto da Folha/SE. Nestas ações houve o envolvimento de duas Organizações Socioprodutivas: a Associação de Mulheres Lagoa da Volta e a Associação Comunitária do Assentamento Pedrinhas.

 

No total, foram realizadas 260 visitas técnicas, 72 dias de campo, quatro mutirões, cinco reuniões, foram analisadas 60 amostras de solos e, implementadas 04 barragens de base zero. As ações implementadas pela AGENDHA adotam uma ampla gama de tecnologias de baixo carbono, destacando-se o Manejo Sustentável de Florestas (MSF), a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN), a Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), a Recuperação de Áreas Degradadas (RAD) e o Manejo de Dejetos Animais (MDA).

 

Todas estas ações, visam o fortalecimento dos arranjos produtivos locais (APLs) e sua capacidade de fornecer forragem para a bovinocultura leiteira, com menos impacto aos agroecossistemas”, ressalta Tiago Cipriano (Técnico de Campo/AGENDHA/PRS CAATINGA).

 

TECNOGIAS AGRÍCOLAS DE BAIXA EMISSÃO DE CARBONO

 

A região da Caatinga é rica em saberes, métodos e tecnologias que permitem cultivar alimentos em um ambiente onde a água é escassa. Ao longo dos anos, as pessoas que vivem lá e suas organizações desenvolveram a ideia de "conviver com o semiárido", uma abordagem que não busca combater a seca, mas sim garantir que seja possível viver com qualidade nesse lugar mesmo diante desse desafio natural. A Caatinga tem sido pioneira na criação de soluções para lidar com condições difíceis, o que a coloca na vanguarda da promoção da resiliência - uma habilidade crucial diante das mudanças climáticas que estão acontecendo.

 

As tecnologias de agricultura de baixo carbono incorporam práticas sustentáveis que não apenas aumentam a produtividade agrícola, mas também preservam a vegetação nativa, garantem renda aos produtores e reduzem as emissões de gases de efeito estufa. Nas unidades demonstrativas, foram implantadas BBZs, complementadas pelos Sistemas Agroflorestais (SAFs) com roçados em áreas aluviões.

 

A Assistência Técnica concentrou-se em ações de conservação do solo e da vegetação. Para apoiar a bovinocultura leiteira, foram desenvolvidas atividades voltadas ao suporte forrageiro, utilizando mandacaru e plantas forrageiras para fornecer sustento aos animais. As mudas necessárias foram produzidas e fornecidas pela AGENDHA.

 

“Em relação à assistência técnica, foi um pouco mais voltada para a quantidade de racionamento do animal, ou seja, a gente separar os animais, aqueles que produz um pouco mais, aqueles animais que são solteiros, não tem cria, não tem filhotes, não tem bezerros, para aqueles animais que estão em lactação, em pico de lactação, que a gente orientava, e aqueles que faziam conseguiam ter um rendimento melhor, dividindo, separando as quantidades e formulações das rações fornecidas. Então, isso era muito significativo, por conta que, às vezes, a gente estava dando uma ração mais cara para o animal que não estava produzindo leite, que são os animais solteiros. Então nós tivemos um avanço muito grande em relação a isso.” Eudes Andrade (Técnico de campo/AGENDHA)

 

FOCO NAS TECNOLOGIAS SOCIAIS


O desenvolvimento das ações focou na implementação da tecnologia social mais conhecida como Barragem de Base Zero (BBZ), que é uma tecnologia reconhecido pela Fundação Banco do Brasil, um sistema que resistiu a história, por que data dos sumérios a sua invenção, essa tecnologia tem resistido como  uma solução eficaz para enfrentar os desafios ambientais de regiões onde as chuvas são escassas, como é o caso do Semiárido Brasileiro.


Nos períodos chuvosos, ela consegue diminuir a velocidade da corrente dos rios, impedindo o arrastamento de substrato do solo e de seus nutrientes, além de evitar a sedimentação do leito de riachos intermitentes. Construída com uma série de muros baixos de pedras, a BBZ promove um maior contato da água com o solo, facilitando sua infiltração até os lençóis freáticos e aumentando a disponibilidade hídrica para tempos de seca. O formato em arco romano das pedras retém a água nos terraços, criando ambientes propícios para o cultivo de alimentos, promovendo maior umidade e um microclima mais ameno.


Na região dos municípios de Porto da Folha e Poço Redondo, onde o Projeto de Reassentamento URAD (Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas de Sergipe) está em andamento, as comunidades tradicionais, extrativistas e de agricultura familiar têm sido beneficiadas por essas iniciativas. Em um contexto onde a concentração de terras para monocultivos de milho transgênico tem sido crescente, a implementação das BBZs surge como uma alternativa sustentável para conservar o solo e aumentar a resiliência das comunidades.


Franklin Freitas, indígena do povo Xokó, expressou sua gratidão pelo apoio do projeto: "O PRS Catinga trouxe esperança para nossa comunidade em um momento crítico. Com assistência técnica, insumos e experiências com as barragens de base zero, vimos um caminho de progresso e sustentabilidade."


A vulnerabilidade climática da região, aliada à escassez de água para consumo humano e agricultura, ressalta a importância dessas iniciativas. Com a implementação de 18 Barragens de Base Zero, 6 unidades demonstrativas e 54 unidades multiplicadoras, já é possível observar melhorias significativas na captação e armazenamento de água, assim como na recuperação de áreas degradadas.


"Eu me chamo Franklin, sou da aldeia Xokó, a única aldeia de indígenas reconhecida no estado de Sergipe, diversas iniciativas que aconteciam foram extintas das comunidades e o PRS Catinga  veio na contramão disso tudo, num dos períodos mais críticos e nos fez acender a esperança de que essas ações elas poderiam estar voltando e não foi diferente. Tivemos assistência técnica nesse período, tivemos entrega de insumos pra produção de alimentos, vivenciamos experiências com barragens base zero, enfim, foi um projeto que diante das necessidades, diante de um cenário que o país viveu e vive ainda, foi muito bom não temos do que reclamar". Franklin Freitas – Aldeia Xokó

 

A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO TÉCNICO

 

A Assistência Técnica concentrou-se em ações de conservação do solo e da vegetação. Para apoiar a bovinocultura leiteira, foram desenvolvidas atividades voltadas ao suporte forrageiro, utilizando mandacaru e plantas forrageiras para fornecer sustento aos animais. As mudas necessárias foram produzidas e fornecidas pela AGENDHA.

 

“Em relação à assistência técnica, foi um pouco mais voltada para o racionamento do animal, ou seja, a gente separar os animais, aqueles que produz um pouco mais, aqueles animais que são solteiros, não tem cria, não tem filhotes, não tem bezerros, para aqueles animais que estão em lactação, em pico de lactação, que a gente orientava, e aqueles que faziam conseguiam ter um rendimento melhor, dividindo, separando as quantidades e formulações das rações fornecidas. Então, isso era muito significativo, por conta que, às vezes, a gente estava dando uma ração mais cara para o animal que não estava produzindo leite, que são os animais solteiros. Então nós tivemos um avanço muito grande em relação a isso.” Eudes Andrade (Técnico de campo/AGENDHA)


Monitoramento das Ações PRS Caatinga Sergipe


Além das tecnologias de baixo carbono, como o Manejo Sustentável de Florestas, a Integração Lavoura Pecuária Floresta e a Fixação Biológica de Nitrogênio, o projeto tem priorizado a assistência técnica e o suporte forrageiro para a bovinocultura leiteira. A promoção de práticas sustentáveis não apenas aumenta a produtividade agrícola, mas também preserva a vegetação nativa e reduz as emissões de gases de efeito estufa.


Na opinião de Eudes Andrade, Técnico de Campo do projeto, a importância primordial do projeto foi tentar proporcionar maior bem-estar animal. Ao implementar práticas como o raleamento e o rebaixamento das áreas, desta forma, o projeto criou condições ideais para que os animais pudessem pastar em locais sombreados, especialmente durante o calor intenso do sertão. Essa medida foi essencial, pois em temperaturas elevadas, os animais tendem a perder menos calorias, o que se traduz em ganho de peso, resultando em maior produção de carne, gordura e leite.


“Ao garantirmos um sombreamento adequado das áreas de pastagem e dos currais, estamos promovendo um ambiente mais confortável para os animais. É importante ressaltar que, como ruminantes, eles têm um ciclo específico de alimentação e descanso. Após pastarem e encherem o rúmen, necessitam de um local adequado para se deitarem e ruminarem, processo pelo qual regurgitam o alimento, remastigam e o retornam ao rúmen”. Eudes Andrade (Técnico de Campo/AGENDHA).

“Esse comportamento é mais propício de ocorrer em locais sombreados, o que demonstra a relevância do nosso trabalho nesse aspecto. Além disso, vale destacar que essas medidas têm impactos visíveis e positivos, como a melhoria na pelagem dos animais e a redução do estresse, proporcionando, assim, uma qualidade de vida melhor para eles. Em suma, priorizar o bem-estar animal não apenas reflete em benefícios para os próprios animais, mas também contribui para o sucesso e a sustentabilidade do projeto como um todo”, afirmou Eudes.

Em parceria com o Centro Dom José Brandão de Castro, a AGENDHA desempenhou um papel fundamental na promoção do desenvolvimento sustentável e na valorização das práticas tradicionais das comunidades acompanhadas pelo Projeto Rural Sustentável Caatinga.


Ao focar em Povos e Comunidades Tradicionais, Extrativistas e Agricultores Familiares, o projeto visa não apenas melhorar a produção agrícola, mas também garantir a preservação das tradições e a qualidade de vida dessas comunidades. Com a adoção de tecnologias agrícolas de baixo carbono, busca-se promover uma agricultura mais sustentável e resiliente, em harmonia com o meio ambiente e as práticas culturais locais.


Reportagem: Bruna Cordeiro (Assessoria de Imprensa) AGENDHA





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