Referência de produção agroecológica: projeto da FAO/MMA apoia reversão da desertificação no Semiárido
O agricultor Damião Pereira, do sertão de Alagoas, viu sua propriedade no município Olho D‘Água do Casado renascer com o apoio técnico e práticas sustentáveis de manejo da Caatinga implementados pelo REDESER.

O projeto, intitulado Revertendo o Processo de Desertificação nas Áreas Suscetíveis do Brasil: Práticas Agroflorestais Sustentáveis e Conservação da Biodiversidade, é uma parceria da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a ONG AGENDHA, executado com recursos do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF).
Herdado do pai, o terreno de Damião parecia não ter mais futuro. A terra estava degradada, sem capacidade de produzir milho ou feijão – culturas que por anos sustentaram sua família. “Meu terreno estava puro mato, devastado desde o tempo do meu pai, que cultivava sempre a mesma semente e não tinha conhecimento sobre o manejo adequado da terra. Era uma terra arrasada, que já estava perdida para mim”, conta ele.
A realidade começou a mudar a partir de novembro de 2024, quando técnicos da AGENDHA -- organização implementadora do REDESER -- chegaram à comunidade com uma proposta concreta de convivência com o clima semiárido e de reversão da desertificação. Há pouco mais de dois meses, foi concluída a implementação do sistema. A propriedade de Damião foi selecionada dentro de um processo de escuta ativa com lideranças locais e associações de agricultores familiares. A escolha dos beneficiários considerou quem já vive e compreende profundamente a realidade da terra, especialmente em regiões de reforma agrária, como é o caso.
Na prática, o REDESER implementou uma série de intervenções na propriedade de Damião: desde o preparo do solo com aração, a introdução de RAMPAS (Reserva Agroecológica de Mandacaru, Palma e Outras Forrageiras da Sociobiodiversidade), até a construção de barrocais — estruturas que reduzem a velocidade da água da chuva, evitando a erosão e o assoreamento do solo. Também foram implementados os sistemas de SAFs Ciliares onde foram relizados plantios de espécies nativas da Caatinga que favorecerão o reflorestamento das áreas degradadas.
“Hoje, estou produzindo bastante milho, alimento minhas galinhas e ovinos, e quero começar a comercializar ovos. Estou fazendo um banco de sementes para usar nos períodos de seca. Em 60 dias, essa terra virou outra”, relata orgulhoso.
O caso de Damião se tornou referência, e seu terreno, modelo de recuperação ambiental: ele levou um maquete que construiu, que simula o antes e depois de seu terreno, para apresentar no seminário “Recuperação de áreas degradadas em municípios do Xingó alagoano”, que ocorreu na manhã desta quinta-feira (28) no Semiárido Show, feira de inovação tecnológica voltada para a agricultura familiar que este ano está ocorrendo em Petrolina até esta sexta (29).
Desertificação
O técnico da Agendha Eudes Andrade, que acompanhou o processo do terreno de Damião, explica os sinais da desertificação que a região apresenta: solo arenoso, lixiviado, com perda de nutrientes e da vegetação nativa. “Não combatemos o clima, convivemos com ele. O que fazemos é aplicar práticas sustentáveis que há mais de 20 anos vêm sendo aperfeiçoadas para restaurar o bioma da Caatinga e garantir segurança alimentar”, explica Andrade.
O caso de Damião é apenas um entre 30 famílias beneficiadas nos três municípios do território Xingó (AL), mas representa um modelo replicável de manejo sustentável, capaz de transformar terras aparentemente improdutivas em áreas férteis e resilientes. Além de Alagoas, o projeto REDESER atua também nos territórios de Araripe (CE), Seridó (PB/RN) e Uauá (BA), levando esperança e tecnologia social a centenas de agricultores familiares.
Durante o Semiárido Show 2025, a FAO está promovendo uma série de painéis para socializar experiências do projeto, fortalecer o intercâmbio entre territórios e reforçar a importância da convivência com o Semiárido como estratégia de desenvolvimento sustentável. A apresentação do projeto em parceria com a Agendha, ilustrado pelo caso de Damião, atraiu recorde de público, entre produtores e produtoras rurais, pesquisadores, entre outros, no estande da Organização.
SERVIÇO
Estande da FAO no Semiárido Show - 26 a 29 de agosto de 2025
Campos Experimentais da Embrapa Semiárido - Rodovia BR 122, Km 50 (BR 428, Km 148). Estande REDESER - Pavilhão dos Estandes Institucionais D7, D8, D9.
Publicado originalmente em 28 de agosto de 2025, pela FAO: https://www.fao.org/brasil/news/detail/Refer%C3%AAncia-de-produ%C3%A7%C3%A3o-agroecol%C3%B3gica-projeto-da-FAO-MMA-apoia-revers%C3%A3o-da-desertifica%C3%A7%C3%A3o-no-Semi%C3%A1rido-/pt?utm_source=chatgpt.com







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