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PRS Caatinga e Agendha promovem diversidade produtiva com povo indígena Xocó em Sergipe

Diálogo entre saberes ancestrais e científicos promove desenvolvimento sustentável e ajuda a suprir escassez de água.


Na parceria PRS Caatinga e a Assessoria e Gestão em Estudos da Natureza, Desenvolvimento Humano e Agroecologia – Agendha, as Tecnologias Agrícolas de Baixo Carbono (TecABC) estão dialogando de maneira horizontal com os conhecimentos de 60 famílias, entre elas o povo indígena Xocó, nos municípios de Porto da Folha e Poço Redondo, em Sergipe. As ações em conjunto visam promover a diversidade produtiva, já que as localidades trabalhadas estão passando por um processo acelerado de mudança com o crescimento do uso das terras mais férteis para monocultivos de milho transgênico, com mecanização, agrotóxicos e adubos químicos de alta solubilidade.


Os agricultores contemplados pelo Projeto estão relacionando saberes tradicionais, ancestrais e científicos, experimentando as complementaridades das tecnologias sociais de convivência com o semiárido e as tecnologias de baixo carbono. Nas regiões onde a parceria atua, os serviços públicos, gratuitos e continuados de Assessoria Técnica e Extensão Rural (ATER) para Povos e Comunidades Tradicionais, Extrativistas e da Agricultura Familiar (PCTAFs) são muito reduzidos. Segundo o coordenador da Agendha, Maurício Lins Aroucha, a iniciativa com o PRS Caatinga está atendendo a demanda local por serviços de ATER, agregando as perspectivas agroecológica e socioambiental. E ainda, busca atuar de maneira articulada com as pesquisas e o ensino em escolas agrotécnicas, institutos de educação e universidades estaduais e federais.


TecABC como solução para fatores preocupantes


“Há uma questão preocupante, que são os chamados fatores edafoclimáticos da zona semiárida, entre eles a pouca fertilidade e fragilidade dos solos, os desmatamentos com destocas e queimadas, e a salinização por manejos inapropriados, que contribui para desertificação e seus efeitos perversos”, comenta Aroucha.


Nesse sentido, as ações implementadas pela Agendha adotam uma ampla gama de tecnologias de baixo carbono, destacando-se o Manejo Sustentável de Florestas (MSF), a Fixação Biológica de Nitrogênio (FBN), a Integração Lavoura Pecuária Floresta (ILPF), a Recuperação de Áreas Degradadas (RAD) e o Manejo de Dejetos Animais (MDA).


Nas seis unidades demonstrativas e nas 54 unidades multiplicadoras previstas pela parceria, a assistência técnica tem o papel de enfatizar a conservação do solo e da vegetação, e está auxiliando na implementação de Sistemas Agroflorestais (SAF) com roçados em aluviões. Já nos criatórios da bovinocultura leiteira estão sendo desenvolvidas atividades para suporte forrageiro com mandacaru e plantas forrageiras com mais resistência ao período de estiagem.

Barragem Base Zero é estratégia para captação de água


Nas duas localidades – Porto da Folha e Poço Redondo –, a escassez de água é um dos principais desafios, uma vez que impacta o consumo humano, uso doméstico, cultivos, a dessedentação e a alimentação dos criadouros, bem como o beneficiamento dos alimentos. <

Uma das estratégias para melhorar a convivência com o semiárido é a implementação de 18 Barragens Base Zero (BBZ), soluções que estão sendo construídas pela Agendha com a colaboração do Centro Dom José Brandão de Castro (CDJBC), outra organização apoiada pelo PRS Caatinga em Sergipe.


Até o momento, três barragens já foram implementadas.

A BBZ é uma tecnologia social que, nos momentos de abundância de água, diminui a velocidade da correnteza dos rios e impede que o solo (e seus nutrientes) sejam arrastados até pontos específicos, aterrando o seu leito. Essa tecnologia, construída com diversos muros baixos de pedras, faz com que a água fique mais tempo em contato com o solo, facilitando a sua infiltração até os lençóis freáticos e aumentando a quantidade de água armazenada a ser utilizada quando os rios estiverem secos.

Barragem de Base Zero - Acervo AGENDHA
“Mais molhanças” e microclima mais ameno são resultados esperados. Produtora Lindinete Alves

A agricultora Lindinete Alves Oliveira, moradora de Poço Redondo, conta como está sendo a implantação das tecnologias de baixo carbono na sua propriedade.


Ela destaca que as tecnologias de baixo carbono servirão para proporcionar o que ela chama de “mais molhanças” a partir das próprias águas dos riachos. Outros benefícios são garantir a fonte de alimentação para os animais com o suporte forrageiro, além de outros impactos positivos a partir das novas práticas, como a criação de um microclima mais agradável no lugar da implantação.


Foto: Acervo AGENDHA
“Acredito que as tecnologias sejam boas, mas precisamos primeiro passar por isso e ver os resultados para ter a certeza: para a gente ter sombrios onde estão as barragens, para conseguir alimentação para a gente e para os animais – sobretudo no verão. Acho também importante o plantio da palma para ajudar na alimentação dos animais. É a primeira vez que estou participando de uma experiência dessas e tenho fé em Deus que dará tudo certo”, afirmou Lindinete.

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