Pesquisa cria método para recuperar vegetação da Caatinga

Bolsistas CAPES restauram floresta degradada do Rio Grande do Norte, combinando teoria e experimentos. Projeto reconhecido pela ONU integra rede mundial que testa os efeitos da biodiversidade nas florestas plantadas.


Uma tecnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) pode reverter a desertificação da Caatinga. Desenvolvida pela professora Gislene Ganade, a técnica consiste em usar mudas de raízes longas apoiadas por tubos e plantá-las em  locais individualmente  hidratados. Dez bolsistas da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) fazem parte da equipe.


No projeto, o grupo de pesquisa fez sobreviver a maioria das árvores plantadas em uma área de 3,5 hectares da Floresta Nacional de Açu (RN), mesmo nas piores secas. Em 2015, as Nações Unidas reconheceram a contribuição do projeto com o selo Dryland Champions. A pesquisa é o primeiro projeto sul-americano do TreeDivNet, um consórcio internacional que estuda a importância da diversidade vegetal para o plantio de florestas.


https://www.capes.gov.br/36-noticias/10497-pesquisa-cria-metodo-para-recuperar-vegetacao-da-caatinga?fbclid=IwAR3SKICIqILnlywuGX3rTj73Fe5HY1vc5eXW24GJCkm5njdlIMLTPYf4lvM

Os experimentos começaram em 2013. “Testamos diversos métodos: usamos plantas altas, baixas, de raízes curtas, longas, e até consórcio de plantio de arvores com agricultura, a chamada agrofloresta”, conta a professora Gislene, que foi bolsista da CAPES no doutorado na Inglaterra. Os testes levaram a descobertas fundamentais: as espécies mais adequadas para a restauração, e também novas técnicas de plantio.


Algumas árvores, como a jurema preta (Mimosa tenuiflora), ajudam no crescimento de outras plantas ao redor. Mudas de árvores altas, mas que possuam raízes longas de um metro, acumulam reservas de nutrientes e são capazes de alcançar a água em locais mais profundos do solo, resistindo melhor ao clima seco, explica a professora. “Para contornar a seca, os locais receberam água no momento do plantio das mudas. Dessa forma, elas conseguem sobreviver sem irrigação até a estação chuvosa seguinte”, detalha a bióloga.


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