Parceria entre comunidade e o CBHSF busca a revitalização de nascentes e rios na Serra dos Morgados

Uma iniciativa popular tem somado esforços para recuperar nascentes na Serra dos Morgados, município de Jaguarari (BA), mesmo local onde o Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco está realizando um projeto de recuperação ambiental com a construção de um viveiro com capacidade aproximada de 100 mil mudas/ano, construção de três barragens subterrâneas, 15 barramentos de contenção de sedimentos e 15 cisternas de procuração de 52 mil litros.



De acordo com a presidenta da Associação de Mulheres da Serra dos Morgados, Edna Maria de Almeida Cruz, há pelo menos 10 anos a situação, que já apontava a redução na disponibilidade de água, se agravou ainda mais na região que é produtora de frutas e café, setor fortemente impactado pela escassez hídrica. Além disso, até o consumo humano tem sido afetado com a seca de diversas nascentes. Segundo ela, muitas localidades dependem, agora, de caminhões-pipa para atender os moradores com água potável.


Além da iniciativa do CBHSF, a comunidade que demandou o projeto, reúne esforços no sentido de acelerar o processo de recuperação das nascentes. Durante a manhã do último sábado (02), a população realizou o plantio de pelo menos mil mudas de espécies nativas na nascente que é considerada o coração de todas as nascentes, por estar localizada em uma área central da comunidade da Serra dos Morgados. A nascente Munduri não jorra mais há alguns anos e foi nesse entorno que moradores e associações decidiram iniciar efetivamente o projeto Cuidando das Nascentes.


“A gente conhece essa nascente como o coração das nascentes, ela está no coração da comunidade e para nós é simbólico começar por ela, que está totalmente seca. Ela está adormecida e precisando de cuidado, de carinho. Iniciamos o plantio com os moradores e as associações da comunidade”, explicou o professor e morador da comunidade, Juracy Marques.

O projeto, que nasceu há três anos, mas teve as ações efetivamente iniciadas agora, surgiu a partir da percepção da morte das nascentes e rios, afluentes do rio São Francisco. A comunidade resolveu organizar ações para tentar trazer a vida de volta ao rio Estiva, também afluente do São Francisco, que nasce na Serra dos Morgados, na região dos municípios de Jaguarari e Campo Formoso. De acordo com a população, a morte de nascentes e rios é atribuída ao desmatamento e perfuração excessiva de poços pela atividade minerária.


“Agora, trata-se de um trabalho de conscientização, de conversa com a comunidade. As primeiras intervenções no corpo do rio com a construção das barragens de base zero e a construção de base subterrânea, além de um viveiro na comunidade para produção de mudas, feito pelo CBHSF, vão propiciar o reflorestamento, porque é preciso entender que a morte de rios e nascentes é algo muito grave. Então, as ações do Comitê estão focadas na revitalização do rio Estiva, com ramificações que vão desde o apoio aos moradores locais para reativação da cadeia produtiva do café, entendendo que é preciso ter uma base econômica para dar sustentabilidade a essas famílias e voltar a produzir café. Por isso, é preciso água, e se a gente não tem água a demanda cresce, representando um problema”, explicou Marques.

O trabalho, financiado integralmente pelo CBHSF, é uma ação de apoio a 30 produtores locais com a construção de cisternas, barragens subterrâneas, barramentos de contenção de sedimentos e um viveiro que será gerenciado pela associação de mulheres da Serra dos Morgados. “São mais de 80 mulheres da associação, e a ideia é que elas possam transformar o viveiro em um local de esperança para que a gente possa alimentar o sonho de ver nascentes de rios afluentes da bacia do rio São Francisco recuperadas, com a produção de mudas para reflorestamento de grandes áreas, além de também se tornar uma fonte de renda para a comunidade”, concluiu.


Para o coordenador da Câmara Consultiva Regional do Submédio São Francisco, Claúdio Ademar, a parceria entre as comunidades e o Comitê é fundamental para o sucesso de qualquer obra. “A gente entende que a parceria entre