Debate discutiu a situação dos povos do semiárido baiano em tempos de pandemia


Os desafios do povo do semiárido baiano em tempos de pandemia do Covid-19. Esse foi o assunto abordado com a mestre em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental e professora da Universidade Estadual da Bahia (Uneb), Edvalda Aroucha. O debate faz parte das lives realizadas, semanalmente, pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema), com o objetivo de abordar temas relacionados sobre pandemias e meio ambiente. A mediação do bate-papo desta quarta-feira (07), ficou a cargo da diretora de Políticas de Biodiversidade e Florestas, Poliana Sousa.


Foto: Acervo Valda Aroucha

De acordo com a entrevistada, a relação dessa pandemia com as crises sanitárias e ambientais não deixa de ser uma relação socioambiental que precisa ser enfrentada com políticas públicas apropriadas e adequadas de diversas dimensões e amplitudes.


“Para a população rural, precisamos urgentemente de recursos para a questão do saneamento. São inúmeros povoados sem saneamento, com o esgoto doméstico indo para os rios, tudo isso é um problema que certamente afetará a saúde dessas comunidades”, pontuou Edvalda.

A pesquisadora destacou também durante a live que precisamos fortalecer o trabalho de uma educação ambiental mais crítica, propositiva e agregadora. “Precisamos de políticas públicas que entendam o quanto é importante as relações socioambientais, porque quando elas estão resolvidas harmonicamente a economia melhora. Então, vejo que a educação ambiental pode ser um dos caminhos principais para o enfrentamento dessa pandemia no bioma da caatinga”, disse.  Povo da Caatinga Num prognóstico sobre o povo da Caatinga pós-pandemia, Edvalda Aroucha acredita que será preciso repensar nossas ações com mais sustentabilidade e com o conceito do bem viver. “Precisamos repensar como vamos resgatar a relação do ser humano com a natureza. Queremos ter certeza de que a vida humana é mais importante do que qualquer outra coisa. Somente com as pessoas vivas, fortalecidas com dignidade e condições de vida, poderemos recuperar a economia”, analisou.  "O povo do semiárido vem enfrentando esse período de maneira muito assustada, pois está dependente de programas sociais que estão muito desorganizados. Mas, ao mesmo tempo, instituições de assistência técnica e extensão rural em parceria com o governo do Estado estão colaborando com essas comunidades, com o fortalecimento da agricultura familiar e da agroecologia. As conquistas de direitos desse bioma são frutos de esforços de catingueiros e catingueiras e de vários setores da sociedade que defendem a Caatinga, ainda mais numa conjuntura política ambiental federal, que vem diminuindo as políticas públicas sociais para o povo do semiárido", finaliza.


Publicada em 07/05/2020 por: http://www.meioambiente.ba.gov.br/

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