Banco de forragem agroecológico contribui para a recuperação de áreas degradadas no semiárido baiano

Além da alimentação animal, ação apresenta ganhos socioambientais e econômicos com a diversificação e aumento da área de cobertura vegetal. A implantação de uma área dedicada ao plantio de espécies com a finalidade de produzir matéria prima para o processamento de forragens dedicadas à alimentação de caprinos e ovinos no Território Sertão do São Francisco, no Semiárido Baiano, tem demonstrado uma série de benefícios socioeconômicos e ambientais. A atividade foi iniciada entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020, no município de Pilão Arcado, e recebeu o nome de Ensaio Forrageiro Agroecológico.

Ensaio forrageiro agroecológico da comunidade Tamanduá, em Pilão Arcado (BA) – Território Rural Arco-íris. Foto: Tovinho Régis

Para além do resultado direto na alimentação dos animais, famílias agricultoras da Comunidade Tamanduá têm percebido desde aumento na resiliência dos agroecossistemas e da fertilidade dos solos, como ganhos na conservação da Caatinga e valorização da atividade da caprinovinocultura nas áreas de Fundo de Pasto. Junto a isso, apontam também a troca e aquisição de novos conhecimentos para a produção agroecológica como outro importante benefício da ação.


As tentativas anteriores de produção de forragem na região junto aos mesmos criadores de caprinos enfrentaram alguns desafios, como a descontinuidade da ação e distância entre as famílias e as áreas cultivadas, o que acabou por impedir seu desenvolvimento. Com a chegada do Projeto Pró-Semiárido, do Governo do Estado da Bahia, e o intuito de reanimar o grupo de caprinovinocultores, buscou-se transferir a área do ensaio forrageiro para um local mais próximo das famílias envolvidas – decisão determinante do sucesso posterior da ação.


Área do ensaio forrageiro agroecológico com espécies adaptadas ao clima e nativas da Caatinga, na comunidade Tamanduá (TR Arco-íris), Pilão Arcado-BA. Foto: Tovinho

Foi Dona Berenice Brito do Nascimento, agricultora da comunidade Tamanduá, quem teve a iniciativa de ceder parte da sua área produtiva para instalar o viveiro e plantio das espécies forrageiras. Os grupos de criadores de caprinos reuniram-se, então, para a realização de mutirões e começaram a se envolver nas atividades do ensaio forrageiro agroecológico. Paulatinamente, as atividades começaram a aglutinar pessoas de outros grupos e, no decorrer do processo, chegaram a contabilizar 41 participantes.


No ensaio, são plantadas de forma consorciada espécies forrageiras adaptadas ao clima Semiárido, algumas com mais de um tipo de variedade, a exemplo da palma forrageira, além de espécies nativas de potencial forrageiro. Foram produzidas mais de 4 mil mudas, contando também com as espécies nativas da Caatinga, dentre elas: Leucena, Gliricídia, Pornunça, Jureminha, Moringa, Algodão Mocó, Angico, Maniçoba, Juazeiro, Maracujá do Mato, Umbucajá, Caju, Batata de Purga, Acerola, Graviola, Laranja, Manga, Sorgo, Melão de São Caetano, Andu, Palma, Mandacaru sem espinho, Lã de seda, Seriguela e Amora.

Viveiro de mudas do ensaio forrageiro agroecológico. Foto: Tovinho Régis


A observação de que apenas a área do ensaio não seria suficiente para uma maior autonomia de produção de alimento para os animais levou algumas famílias a começarem a produzir mudas em sua própria casa, a partir dos aprendizados das oficinas e mutirões de produção feitos na área do ensaio. As famílias passaram a trabalhar na perspectiva de aumentar a quantidade e a