Agroecologia também é digital

A Articulação Semiárido Brasileiro (ASA Brasil) lança, nesta segunda, 17, a série de spots e programas “Agroecologia também é digital”. A produção, realizada com o apoio do Ministério da Cidadania (MDS), retrata a forma como as famílias da agricultura familiar e as cooperativas agroecológicas, além da organização não-governamental Movimento de Organização Comunitária (MOC), que trabalha com educação contextualizada no Semiárido baiano, desbravaram o universo online. Enfrentando a exclusão digital, que segundo dados da Pesquisa por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua 2018), atinge 53% da população, essas instituições têm mantido as atividades ao longo desta pandemia da Covid-19.


Lançando mão do uso de redes sociais, de aplicativos de trocas de mensagens, de programas de gestão e de vídeo-chamadas, além de garantirem a renda e a articulação política, essas experiências lançaram luz sobre a importância do acesso às novas tecnologias para a convivência com o Semiárido. Dividida em temáticas distintas, a série compartilha três experiências.


A temática “Agreocologia e comércio online” aborda a experiência da empreendedora rural agroecológica, Joely Ribeiro, do município de Casa Nova, no Semiárido baiano, que criou o “Armazem da Jô Online “, uma loja agroecológica que vende alimentos frescos in natura e de padaria e pastelaria no Instagram.


Desbravando a rede social_

Jô ficou desempregada na pandemia, o salário do marido foi reduzido com a adoção do trabalho home office. Diante do aperto, ela não teve dúvidas, partiu para uma pesquisa apurada sobre a rede social e usando a sua experiência como atendente na loja agroecológica Central da Caatinga, lançou o Armazém da Jô.


“Quando amanheço o dia que eu vejo que tem muito boleto para pagar, eu pego tanto o Instagram quanto o Whatsapp e envio mensagem, eu digo ‘Oi, bom dia, Cida, hoje chegou isso e isso, você vai querer? ‘Dona Ivanilda, hoje chegou isso, tem o biscoitinho delicado que a senhora gosta, era de R$ 4, agora, é de R$ 3,50, vai querer?” .


A variedade de produtos oferecida por Jô é grande e envolve uma diversidade de cooperativas e grupos agroecológicos produtivos. Tem os doces e geleias da Cooperativa Agropecuária Familiar de Canudos, Uauá e Curaçá (Coopercuc), a castanha e a pasta de cajú da Cooperativa Regional de Agricultores/as Familiares e Extrativistas da Economia Popular e Solidária (Coopersabor) e mais uma infinidade de delícias.


Articulação com as cooperativas agroecológicas_Para manter o estoque cheio, articulando esta rede de cooperativas, Jô Ribeiro desenvolveu uma estratégia especial no mundo online. “Para adquirir os produtos, eu sou uma verdadeira caça likes! Então, se eu compro na Coopersabor, eu vou vendo os produtos que eles têm, vou vendo os perfil que eles estão seguindo, e daí eu vou em busca dos produtos”, afirma. Clique neste link e confira a história completa do Armazém da Jô online. MOC adotou lives para debater temas trabalhados na educação contextualizada - Foto: Acervo MOC


Educação contextualizada digital, como assim?_A série avança percorrendo o caminho da agroecologia no universo digital, sob a temática “Educação contextualizada enfrentando a exclusão digital”. A pauta é abordada à luz das experiências dos projetos Baú de Leitura e Conhecer, Analisar e Transformar (CAT), ambos desenvolvidos pelo Movimento de Organização Comunitária (MOC), organização não governamental com atuação no Semiárido baiano.


O Baú de Leitura é uma metodologia de educação contextualizada, desenvolvida em 1999, que trabalha a formação de professores/as por meio da contação de histórias, tendo como suporte um baú composto por 45 títulos de literatura enviados às escolas parceiras. Seguindo os princípios da educação contextualizada, o projeto é voltado para aproximar escola e comunidade e trabalhar temas que fortaleçam a identidade e a convivência com o Semiárido.

Preocupada em não perder o vínculo com as comunidades, a equipe do projeto lançou mão de diversas estratégias, inclusive com base no uso de ferramentas digitais. Após realizar um levantamento sobre o acesso às ferramentas digitais por parte das comunidades at