Acontece de 1º a 10 de Junho o Fórum Popular da Natureza

O Evento online, livre e gratuito vai promover grande encontro de palestrantes, artistas, professores e ativistas em 10 dias de programação. Com o objetivo de refletir coletivamente sobre os caminhos a serem construídos para mitigar as causas e os efeitos da degradação ambiental e dinamizar o processo de resistência popular nesse campo.

O Fórum Popular da Natureza é formado por movimentos sociais, organizações da sociedade civil, entidades sindicais e de classe, ecologistas, coletivos ambientais, mulheres, juventude, lgbts, entre outras representações, que não se omitem na luta pela preservação dos direitos planetários. Foi organizado desde o início de 2019, para ser lançado presencialmente em 2020, no entanto, a programação foi adaptada para o período de pandemia. Possui núcleos em São Paulo, Bahia, Rio de Janeiro, Amazonas, Pará e no Distrito Federal. Com novas formações no Maranhão, Mato Grosso, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Paraná.


Tem como principal missão, criar um espaço de articulação onde organizações, movimentos e pessoas possam consolidar, de forma democrática e horizontal, um amplo movimento de resistência à destruição planetária e, ao mesmo tempo, construir alternativas econômicas, sociais e culturais ao modelo produtivista dominante.


Valda Aroucha - Ecóloga e Sócio Fundadora da AGENDHA foi convidada pela RSF - Rede Sem Fronteiras, instituição que atua na defesa e na promoção dos direitos das pessoas migrantes e refugiadas, e na articulação da diáspora latino-americana. A live contou com a mediação de Paulo Illes (Coordenador da RSF), e com as convidadas Paulina Acevedo - Coordenadora do Programa Cidadania e Interculturalidade do Observatorio Cidadano (Chile), Zenaida Lauda - Membro da Rede Sul Americana para as Migrações Ambientais e, Patricia Gainza - Membro da RSF no Uruguai e fundadora da Organização Re*.


Teve como tema: Mudanças Climáticas e Migrações e, objetivou a construção coletiva de cenários possíveis para a América Latina, principalmente, em tempos de pandemia pelo COVID-19. O debate ocorreu em torno das seguintes reflexões: Como os governos estão organizando as fronteiras? Quais mecanismos estão sendo criados para garantir os direitos das pessoas migrantes? Como as organizações da sociedade civil tem se colocado diante dessa questão?

De acordo com Valda Aroucha:


“O Semiárido brasileiro tem três Biomas o Caatinga, o Cerrado e uma parte da Mata Atlântica, sendo que o Bioma Caatinga é predominante, ocupa mais de 50% de área, é uma região de gente forte, de fibra, resistente, que resistiram a seca. Aqui, na verdade, é o melhor lugar do mundo pra se viver, vivemos aqui a milhões de anos, aprendendo a conviver com o semiárido, produzindo, nós somos, produtivos, nós somos aguerridos e resistentes.
"Então o bioma Caatinga ele é biodiverso, o semiárido é biodiverso, tem comunidades de fundos de pasto, ribeirinhos, extrativistas, pescadores artesanais, quilombolas, povos indígenas e ciganos, entre outros, e tantas outros povos e comunidades tradicionais, que fazem do semiárido um lugar de convivência, desde que se tenha políticas públicas apropriadas, nós temos questões climáticas sim, nós temos adversidades climáticas, mas nós temos, sobremaneira, a necessidades de políticas públicas efetivas pra fazer com que a população fique no campo".
No Brasil, 84% da população é urbana, apenas 16% vive no meio rural, para fazer, inclusive, a produção, lembrando ainda que dessa produção é a agricultura familiar agroecológica que nos interessa e, interessa em particular, aos povos comprometidos, com as relações socioambientais, mais justas, uma relação socioambiental mais sustentável, na perspectiva do Bem Viver".

Para Complementar a discussão, Zenaida Lauda - Membro da Rede Sul Americana para as Migrações Ambientais (RESAMA), em São Paulo, falou do antropoceno:


“Tem muitos antropólogos que já falam sobre o antropoceno, a influência do ser humano sobre o meio natural está acontecendo de maneira tão intensa e tão forte e gerando tantas mudanças drásticas que estamos pensando em uma nova era geológica que pode levar inclusive a extinção de várias espécies. E estamos prestes a vivenciar uma 6ª extinção massiva de espécies, e nós precisamos entender que tudo isso é muito sistêmico”.

Em torno do tema das migrações, Paulina Acevedo - Coordenadora do Programa Cidadania e Interculturalidade do Observatorio Cidadano (Santiago, Chile) esclareceu:


"Eu venho investigando desde 2010, quando conheci as preocupações e as discussões que haviam em torno das migrações ambientais, seguindo os processos, seguindo os processos das COPs, e seguindo os processos também de algo que já se falou que é a ausência de instrumentos e, eu aqui quero deixar meus comentários por que minhas companheiras já fizeram alusão as causas estruturais, como esse modelo é parte não só das origens, mas talvez seja o centro do problema, portanto, eu quero me centrar na magnitude e, por que todavia, temos todos os diagnósticos de que, carecemos de um instrumentos real de proteção para a migração forçada".

Reflexões finais...

De acordo com o SRC (Centro de Resiliência de Estocolmo), instituto de pesquisa independente, sem fins lucrativos, especializado em desenvolvimento sustentável e questões ambientais, dos 9 limites planetários (clima, biodiversidade, acidificação dos oceanos, uso da água, ocupação da terra, aerossóis, novos elementos químicos, destruição da camada de ozônio, ciclo do fósforo e nitrogênio), 7 estão sendo ultrapassados, gerando efeitos de retroalimentação que criam um ambiente de instabilidade e insegurança.


Os desastres ambientais seguem com o aval dos governos que a cada dia flexibilizam a legislação, esvaziam conselhos, desfazem acordos e massacram povos e comunidades tradicionais com invasões e perseguições a lideranças, luta desnecessária em nome de uma economia que não vai sobreviver sem os recursos ambientais e, sem o cumprimentos dos acordos globais para a remissão do CO² na atmosfera.


A ONU (Organização das Nações Unidas) estima que cerca de 20 milhões de pessoas, tornam-se refugiados ambientais, todos os anos, devido as mudanças climáticas, os principais fatores para estes fenômenos são o desmatamento de terras para a agricultura e o esgotamento dos recursos naturais, pelo aumento da poluição. As desigualdades sociais colocam em riscos a vida das populações vulneráveis, nesse contexto, o aumento exponencial no número de refugiados pelas mudanças climáticas tem afetado fortemente, a América Latina, uma das regiões mais desiguais do mundo.


A velocidade com que essas migrações tem acontecido, resulta em consequências sérias para as populações. Mecanismos de proteção precisam ser criados de forma emergencial para criar canais de escuta as comunidades afetadas, mapear e entender quais os desdobramentos dessas migrações, e principalmente, construir um sistema de proteção para garantir que os direitos humanos não sejam violados.


Escrito por: Bruna Graziela Cordeiro, em: 04 de Abril de 2020.

Acervo AGENDHA

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