1ª Feira Nordestina de Agricultura Familiar

As contribuições da agricultura familiar nas mudanças climáticas foi o tema debatido pelo PRS Caatinga na 1ª Feira Nordestina de Agricultura Familiar. O Projeto Rural Sustentável Caatinga promoveu um rico debate sobre “Contribuições da Agricultura Familiar para Reduzir Efeitos das Mudanças Climáticas” como parte da programação da 1ª Feira Nordestina de Agricultura Familiar e Economia Sustentável, em Natal, Rio Grande do Norte.

Mesa redonda “Contribuições da Agricultura Familiar para Reduzir Efeitos das Mudanças Climáticas” – Foto João Vital

O evento, organizado pelo Consórcio Nordeste, é considerado um marco para agricultura familiar, por reunir produtores e produtoras de toda a região, a acadêmica e o poder público e possibilitar a troca de saberes e sabores entre diversos agentes sociais.


A mesa redonda promovida pelo PRS Caatinga contou com representantes de vários segmentos ligados à agricultura familiar, que compartilharam suas visões sobre a contribuição desse segmento para a questão climática. O painel trouxe perspectivas diversas e apresentou o ponto de vista de uma professora, um produtor rural, das comunidades tradicionais quilombolas e indígenas, cooperativas e profissionais de assistência técnica e extensão rural (ATER). A abertura e mediação foram conduzidas pelo coordenador regional do PRS Caatinga, Francisco Campello.


A primeira fala ficou a cargo do diretor do PRS Caatinga, Pedro Leitão, que trouxe informações sobre o potencial da agricultura familiar do Nordeste, ainda desconhecido por muitas pessoas. “Os números são expressivos. Uma grande parte das instituições de agricultura familiar no Brasil estão no Nordeste. “Isso significa que esse setor é relevante – fora dos pólos de exportação, as grandes propriedades e os grandes latifúndios – se somadas à produção da agricultura de propriedades de pequeno porte”. E completa: “A agricultura familiar precisa ser valorizada. Ela tem potencial para contribuir com a agenda climática se considerarmos a soma dessas pequenas propriedades. Se cada uma delas assumir ações de harmonia com os padrões sustentáveis, em conjunto, a agricultura familiar da Caatinga tem um potencial muito grande para uma agenda positiva de clima”.


A mesa ganhou a contribuição da professora e ex-vice-reitora de extensão da Univasf, Dra. Lúcia Marisy, que atuou como coordenadora pedagógica do Programa de Capacitação em Tecnologias Agrícolas de Baixo Carbono realizado em parceria com a Fundação Brasileira para o Desenvolvimento Sustentável (FBDS). Lucia Marisy abordou a importância do papel da ATER. “A assistência técnica e a extensão rural têm importância fundamental no processo de comunicação de novas tecnologias, geradas pela pesquisa, essenciais ao desenvolvimento rural no sentido amplo – e, especificamente, ao desenvolvimento das atividades agropecuária, florestal e pesqueira”. Outro destaque da fala da professora foi quando ela se referiu ao processo de qualificação “O importante não é apenas um curso de formação, mas um processo continuado, que permita um permanente aperfeiçoamento e acúmulo de conhecimentos, de modo que as inovações tecnológicas, as novas alternativas técnicas desenvolvidas e as práticas criadas partir do conhecimento popular possam ser objeto de permanente socialização entre os extensionistas”. concluiu.


Os saberes tradicionais marcaram presença com a participação da quilombola Lurdinha, de Conceição das Crioulas, Salgueiro – PE,. Ela falou sobre a importância dos cuidados com a terra. “Devemos cuidar do nosso espaço, da nossa terra. Não só nos quilombos, mas em toda a Caatinga, evitando o uso dos agrotóxicos e o desmatamento. A agricultura de baixo carbono vem fazendo a gente ter uma mudança de comportamento alimentar, de forma que nós sabemos o que estamos comendo e também o que estamos dando para as outras pessoas comerem”.


A representatividade indígena ficou a cargo de Egídio dos Santos, do povo Xocó de Porto da Folha-SE, e que está atuando como extensionista rural no Centro de Assessoria e Serviços Aos/as Trabalhadores/as da Terra Dom José Brandão de Castro (CDJBC) – SE, uma das entidades apoiada pelo PRS Caatinga. Egídio vê a participação em eventos dessa natureza como uma estratégia de consolidação de políticas que gerem resultados significativos.

“É de extrema relevância para a agricultura familiar, pois fortalece o cooperativismo e o processo de comercialização, além de ser um espaço de troca de experiências, tendo como base a produção de alimentos saudáveis. E o PRS Caatinga traz uma estratégia de política estruturante que gera resultados positivos para a garantia da conservação e preservação do solo e meio ambiente como um todo. Através do desenvolvimento e aprimoramento dos Arranjos Produtivos Locais, de cada agroecossistema familiar, tendo como base as tecnologias de baixa emissão de carbono”, comentou o técnico.